quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Mise en scène


Cena 1: No terraço de um prédio, por volta das 21h, uma mulher parece ansiar pela chegada de alguém. Um cigarro após outro, sua aflição vai cedendo lugar a uma resignação amarga. Um homem que a observa há 1 hora, aproxima-se e pergunta:

- Parece que quem vc estava esperando não errou a hora, mas o dia!

Ela sem virar a cabeça, responde-lhe:

- Além da vidência, vc tem alguma outra qualidade?

- Bem, costumo resgatar garotas solitárias em noites estreladas

Meio ácida, volta-se pare ele e emenda:

- Não me diga... isso é algum tipo de vocação filantrópica?

- Só tento fazer desse mundo um lugar melhor!

Ele puxa um cigarro:

- Vc tem fogo?

- Acho que sobrou alguma coisa...

Ela lhe acende o cigarro e responde:

- “Dizem que fumar mata lentamente!

- Não tenho pressa de morrer!”

- Acho que vidência é contagiosa: sou capaz de apostar que vc é o porteiro daqui! Toda noite espera que uma situação dessas ocorra... então,

troca o seu uniforme pelo terno que comprou em 18 prestações e entra em cena para viver o clímax do seu dia!

- Garota, ninguém pode negar que vc não tem talento para a ficção!

- Meu pai sempre dizia que as ilusões têm vida curta!

- Vc me parece bem real

Sorridente e meio cínica, ela diz:

- Melhor não confiar na luz das estrelas!

- Sabe, tenho o grave defeito de não seguir conselhos de estranhas!

- Pois vc me parece bem familiar como uma ilusão!

- Posso durar mais que uma vida curta!

- Todas as ilusões dizem isso!

- Bem, podemos continuar nosso exercício de futurologia no Café do 10º andar?

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