sonhei com Tânia Rivera sussurando em meu ouvido: “então, adentramos naquela câmara escura, endereço de um erotismo difuso, onde ressonam pedaços de vida em latente estado de sonho... eis as janelas do indivisível; o corte na dimensão ordinária da vida... esta mesma que se encontra suspensa no alto de um mirante, de onde contemplamos dramas e comédias sem saber divisar suas águas... eis a superfície onírica, o muro e o furo de onde escapam, para onde exilam o fluxo dos desejos represados, o caudaloso rio das pulsões, o céu que nos protege, as imagens em forma de tango, a lente caleidosópica que homogeneíza o caos... o que se confunde com real de cada um, com o então desejo nosso de compartilhar estranhos, no escuro da câmara, um sono em estado de vigília, uma hipnose coletiva, um transe induzido por psicodélicas imagens... eis a gênese, fundamento e dimensão da experiência... a que chamamos cinema...
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
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