terça-feira, 24 de julho de 2012



Ouvi, ontem, que não há nenhum espelho igual à outro, por conta de angulações matemáticas...

Isso significa que sempre haverá algum reflexo, em algum lugar, com uma versão mais hard, soft ou onírica de nós, uma espécie de redenção estética... entonces, o problema está no que se vê... não no que se é?

O que é sólido desmancha-se em miragem... aliás, apaixonar-se é mirar-se no mais suspeito dos espelhos... que superfície ou tela poderá conosco? Dizem que inspiração é estar pleno de Deus... coisas como a êxtase divino, o transe amoroso, o orgasmo, a criação artística derivariam dessa transcendência... nossa memória, sempre seletiva, tem nessas experiências a própria definição de vida ... em qual agenda se registra o essencial?

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Teoria da Vida


Os mais radicais questionamentos têm o sabor de certas perguntas infantis: ambos nos deixam sem respostas, embora já tenhamos algumas prontas. Um desses exemplos gira em torno da discussão ”quando a vida tem início?”. Não existem respostas fáceis, principalmente quando existem 10 teorias conflitantes:

Genética – a vida só se inicia quando o espermatozóide fertiliza o óvulo, gerando um indivíduo com código genético distinto

Embriológica – na 3ª semana de gestação, qdo o embrião adquire individualidade; antes ele pode se dividir

Neurológica – no início das atividades das ondas cerebrais, lá pela 8ª semana

Nidação – fixação do embrião no útero - 40º dia

Ecológica – feto pode viver fora do útero; pulmões precisam estar prontos - 25º semana

Fisiológica – indivíduo nasce e se torna independente da mãe, com seus sistemas circulatório e respiratório

Metabólica – vida como processo contínuo, não faz sentido discutir início

Antropológica – quando se dá auto-reconhecimento, isto é, nos primeiros meses de vida

Romântica – a vida começa quando você conhece alguém que justifique sua existência

Poética – a vida só começa aos 40, o passado apenas é o avant-première e o futuro, a deixa do happy end

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Patologias

Se chegamos atrasados somos relapsos, se nos antecipamos, ansiosos; e se, pontuais, neuróticos...

Se muito trabalhamos, workaholics; se pouco, preguiçosos;

Se nos debruçamos sobre o imponderável, lunáticos; se nos preocupamos com a sobrevivência, materialistas;

Se, por demais, discutimos a relação, inseguros; se a negligenciamos, esquivos; se muito disponíveis, anulados

Se romantizamos o cotidiano, piegas; se cotidianizamos o romance, frios;

Se tomamos coincidências como premonição, supersticiosos; se as racionalizamos, cegos

Se nos apaixonamos, incautos e ingênuos; se nos retrancamos, covardes

Se envelhecemos, falam-nos do passado; e se rejuvenescemos, também

sexta-feira, 23 de março de 2012

Efemeridades

Houve um tempo em que Freud explicava tudo, Marx era cultuado como um deus e o mundo era bipolar: ou você era comuna ou capitalista, Garantido ou Caprichoso, FLA ou FLU! Pois bem, a psicanálise está há tempos no divã, marxismo não é unanimidade e a terceira via já é uma realidade na política e no sexo! Essas referências (nem sempre um porto alegre), funcionavam como um porto seguro: você sabia o que fazer, quem era e no que acreditar!

Não é que as certezas tenham mudado... a vida útil delas é que se tornou cada vez menor (como atesta a efêmera validade das verdades científicas)... o que era sólido desmancha-se, agora, em liquidez... e o que sempre fora uma experiência perene (amor, casamento, crenças, vínculos empregatício, instituições) continua sendo eterno... mas... só enquanto dura.

É de se perguntar: num mundo tão volátil, quem se resigna a viver uma só vida em mil possíveis, agora que podemos explorar outras identidades com a realidade virtual, agora que podemos escolher nosso sexo, nossa cor e, segundo as promessas da engenharia genética, o design não só do nosso hardware (traços estéticos), mas principalmente do nosso software (imunidade a certas doenças)?

Com um self-service desses, não é à toa que a ansiedade dispara na pole position dos distúrbios do 3º milênio: a questão não é mais escolher algo num mar de possibilidades, mas o tempo necessário para experimentar cada uma dessas; viver de quase tudo um pouco e quase tudo mal; ou como dizia a canção: “melhor viver dez anos a mil a mil anos a dez”!

Também não é à toa que tanta gente diz ser hiperativa, com déficit de atenção anexado: o excesso de informação induz não só ao esquecimento, mas ao desejo de consumir imagens, experiências (virtuais ou não), pessoas, identidades... é como se fosse preciso estar conectado para se sentir vivo e percebido. Aliás, já existe até nome pra isso - fomo (fear of missing out, ou, medo de perder alguma coisa). Pois é, 24h é pouco pra tanta demanda: haja avatares virtuais!

Fica a sensação de que o tempo é curto, de que não se viveu o suficiente, de que o passado foi apenas o avant-première. Parece prevalecer essa noção de que viver é sentir intensamente, e rapidamente, as experiências, o que faz com que privilegiemos a existência em termos de horizontalidade, sem se aprofundar em algo específico, virtualmente absorvendo o mundo por mil janelas. Nesse

cultivo de estados alterados da percepção, serotonina e dopamina são os neurotransmissores da hora... e é preciso correr para se manter em pé!

Apesar de não ter saudade de guerra fria e muito menos de um tempo em que as escolhas eram um até que a morte os separe, confesso que sou nostálgico: sou de um tempo em que as coisas eram feitas pra durar... coisa que certamentenão acontecerá com essa minha teoria!


by: ônix

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Eternizando

Sentir o gosto do outro

estar na colorida lembrança de alguém

beber o oceano

queimar-se dos primeiros instantes da aurora

banhar-se de lua

da respiração da criança que dorme

do silêncio da chuva que cai

os pés nus sobre a montanha

o vento no labirinto das cidades

a desbravar a cordilheira das esquinas

o orvalho da nova infância

tudo o que é delicado

é eterno

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Reflexos da alma



Ouvi, ontem, que não há nenhum espelho igual à outro, por conta de angulações matemáticas...

Isso significa que sempre haverá algum reflexo, em algum lugar, com uma versão mais hard, soft ou onírica de nós, uma espécie de redenção estética... entonces, o problema está no que se vê... não no que se é?

O que é sólido desmancha-se em miragem... aliás, apaixonar-se é mirar-se no mais suspeito dos espelhos... que superfície ou tela poderá conosco?


Dizem que inspiração é estar pleno de Deus... coisas como a êxtase divino, o transe amoroso, o orgasmo, a criação artística derivariam dessa transcendência... nossa memória, sempre seletiva, tem nessas experiências a própria definição de vida ... em qual agenda se registra o essencial?


TEXTO: ÔNIX

domingo, 11 de setembro de 2011

Mistérios

MISTÉRIOS = coisas que conheço mas desconheço, e sobre as quais tenho pouco (ou nenhum) domínio... Que causam dúvidas e estranheza, mas mesmo assim despertam um fascínio que não permite que nos desvencilhemos delas

Ouvi, ontem, que não há nenhum espelho igual à outro, por conta de angulações matemáticas... Isso significa que sempre haverá algum ...