terça-feira, 20 de novembro de 2007

faltas, ausências, desejos!

Por um mecanismo de amnésia seletiva, descobrimos que as ausências são descobertas tardias, e que as faltas são a única onipresença em nossas vidas... ausência é a face dos instantes pretéritos, enquanto a falta, ciência de que as coisas são intempestivas: ou ontem morreram, ainda hesitantes, ao alcance de nossas mãos, ou mesmo resistem, incólumes e uivantes, no onírico horizonte, num cais de sonhos remanescentes... se a falta nos move, a ausência nos demove? Falta não será também ausência daquilo que não se viveu? Uma nostalgia pelo que virá? Sim, “falta são pedaços de nós rompendo os limites do tempo-espaço, fazendo-nos existir no presente e passado”...

O que os budistas responderiam sobre o desejo de não desejar? ‘tudo é dor e toda dor vem do desejo de não sentirmos dor’... Sem dor, como atingir o gozo? Sem gozo, como atingir o equilíbrio? É como a experiência romântica: no amor, ao pedir beijos e climas de suspense, leva-se também, ciúmes e climas de suspense... e tal kit não pode ser obtido separadamente... anulando-se o desejo (quanta abstracione, Dios mio!), automaticamente, a falta desapareceria? Que falta a falta faz... A plenitude da ausência?

Titanicamente, lembro que a gente não quer só comida, mas, diversão, arte, fazer amor, entender o imponderável, sentir o inefável, alcançar o infinito... e cantar sobre nossa incompletude... pra sacar que nosso quadro é um eterno mosaico!

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Ouvi, ontem, que não há nenhum espelho igual à outro, por conta de angulações matemáticas... Isso significa que sempre haverá algum ...