quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Cena 3

cho que a discrição faz parte do nosso show! Fico imaginando o que alguém como vc faz num consultório!

- nem só de culpas vive o homem!

- Um complexo de Édipo mal resolvido ou um transtorno obsessivo-compulsivo?

- Impossível guardar segredos hoje em dia, não? Na verdade, tento superar uma grande frustração: se Alexandre, o grande, conquistou todo o mundo conhecido em sua época, aos 32 anos, imagine eu, um pouco mais velho, que ainda não conquistei o que preciso, como não me sinto? Suponho que vc tenha ambições mais modestas que a dele!

- conquistar meu mundo e tudo o que nele caiba, talvez seja algo mais ambicioso que o sonho de Alexandre!

- Se eu lhe dissesse que este também é meu sonho de consumo, vc acreditaria?

- Vidente, porteiro, frustrado e agora plagiador?

- conhece algum lugar onde eu poderia apresentar um currículo desse nível?

- ouvi dizer que estão recrutando figurantes para uma cena de um filme-catástrofe... não exigem experiência!

- eu sabia que tinha alma de artista! Pena não ser meu gênero predileto! E nem o seu!

- acho que meu gênero é rir hoje dos meus dramas mexicanos, achar romântico o patético chapliniano... sabe, a memória se encarrega de transformar as experiências em gêneros distintos do original...

- o problema é quando isso se torna um seriado!

- não, o problema é quando vc se torna um anti-herói!

- há um certo charme em ser apenas sucesso de crítica, e não de público!

- talvez eu seja um clássico e ainda não tenha percebido!

- os gênios são sempre incompreendidos em sua própria época, não?

- o futuro pra mim já seria tarde demais!!! Só reparei agora: o pianista se foi, a música acabou! Tenho uma fantasia cinematográfica: sempre quis pedir ao pianista: ‘play, Sam, playAs time goes by’!

- “as coisas fundamentais se aplicam com o passar do tempo”, como cantaria o Sam...

- “ luar e canções de amor nunca serão obsoletos”...

- “sempre haverá Paris!”, não se esqueça... assim como sempre haverá um homem que tocará o coração da mulher que ama!

- só se pode amar aquilo que se conhece!

- nesse caso, acho que temos um bom motivo agora para um segundo encontro!

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