quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
A vitória nossa de cada dia - II
Temos seguido um salvador à cada esquina
Temos até feito dos iguais novos bárbaros
Temos feito dos manuais (todos) bíblia
Temos erigido fortes em plena cidades
e se para longe destas
temos buscado refúgio
temo-nos esquecido
que em toda fuga
também vamos juntos
Temos cultivado flores de plástico
porque de outra forma já não saberíamos morrer
Temos feito do amor uma técnica
Temos feito da tv uma janela zoológica do mundo
Temos exilado palavras e com esse mesmo mundo
mantido imediatos contatos de 1º grau
E temos considerado isso a nossa vitória de cada dia
à cada dia
terça-feira, 27 de novembro de 2007
Peregrinação
“Será magia, milagre, miragem... será mistério?
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
O que querem as mulheres
E o curioso é que não existe na história do pensamento nenhuma discussão correspondente quanto ao universo masculino, dada à obviedade do que procuram os homens quanto não estão lutando pelo poder.
E do que os homens podem se queixar, uma vez que jamais precisaram queimar peças íntimas para protestar contra qualquer forma de opressão sexista? Se nem o pai da psicanálise explica a natureza ora feérica, ora frágil, meio Psique, meio Afrodite do sexo forte, quem se atreve a responder à pergunta, que não quer calar, sem parecer ridículo, reducionista, alienado, incompetente... ou coisa pior? Além disso, ainda que eu o soubesse, não o diria. Lembram-se do adivinho Tirésias, da mitologia grega, que teria já experimentado a condição de ser homem e mulher? Pois bem, ele ficou cego por castigo divino, justamente por revelar um dos segredos da condição feminina: a mulher sentiria 9 vezes mais prazer que os homens! Já pensou: jamais flagrar outra vez a vizinha do 208? Já nos lembrava Gil que o (super) homem mudou a história por causa da mulher, à qual era a melhor parte dele, a que o fazia viver, posto que o verão seria o apogeu da primavera! Pois é, ministro, se for pra mudar: MULHER PRA PRESIDENTE! (Mas que não seja a Preta Gil!). Já disseram que ninguém nasce mulher, torna-se. E que em tal pedagogia incluem-se, em regime full time, as disciplinas: hormônios (como lidar com o agente da personalidade múltipla); homens (lembrem-se: apenas alguns são de Marte, boa parte é de Plutão); Amor x Desejo (diferenças neurológicas entre os sexos); Trabalho (capacidade lingüística e relações pessoais: o futuro é feminino) etc. Ok, machistas de plantão dirão que estou fazendo lobby subliminar! Mas, companheiros, respondam-me: por quem trabalhamos horas extras? Por quem sofremos tanto? Por quem perdemos noites de sono? Quem é a razão de nossa existência? Para quem nos engravatamos, nos perfumamos e até mesmo...mudamos? Pra mim, todo dia é dia da mulher!!!!!!
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
cinema surreal
sonhei com Tânia Rivera sussurando em meu ouvido: “então, adentramos naquela câmara escura, endereço de um erotismo difuso, onde ressonam pedaços de vida em latente estado de sonho... eis as janelas do indivisível; o corte na dimensão ordinária da vida... esta mesma que se encontra suspensa no alto de um mirante, de onde contemplamos dramas e comédias sem saber divisar suas águas... eis a superfície onírica, o muro e o furo de onde escapam, para onde exilam o fluxo dos desejos represados, o caudaloso rio das pulsões, o céu que nos protege, as imagens em forma de tango, a lente caleidosópica que homogeneíza o caos... o que se confunde com real de cada um, com o então desejo nosso de compartilhar estranhos, no escuro da câmara, um sono em estado de vigília, uma hipnose coletiva, um transe induzido por psicodélicas imagens... eis a gênese, fundamento e dimensão da experiência... a que chamamos cinema...
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Incompletude
faltas, ausências, desejos!
O que os budistas responderiam sobre o desejo de não desejar? ‘tudo é dor e toda dor vem do desejo de não sentirmos dor’... Sem dor, como atingir o gozo? Sem gozo, como atingir o equilíbrio? É como a experiência romântica: no amor, ao pedir beijos e climas de suspense, leva-se também, ciúmes e climas de suspense... e tal kit não pode ser obtido separadamente... anulando-se o desejo (quanta abstracione, Dios mio!), automaticamente, a falta desapareceria? Que falta a falta faz... A plenitude da ausência?
Titanicamente, lembro que a gente não quer só comida, mas, diversão, arte, fazer amor, entender o imponderável, sentir o inefável, alcançar o infinito... e cantar sobre nossa incompletude... pra sacar que nosso quadro é um eterno mosaico!
domingo, 18 de novembro de 2007
Bebemos, cantamos e só restou... Fantasia
A gente não sentisse
A dor que a gente finge
E sente
Se, de repente
A gente distraísse
O ferro do suplício
Ao som de uma canção
Então, eu te convidaria
Pra uma fantasia
Do meu violão
Canta, canta uma esperança
Canta, canta uma alegria
Canta mais
Revirando a noite
Revelando o dia
Noite e dia, noite e dia
Canta a canção do homem
Canta a canção da vida
Canta mais
Trabalhando a terra
Entornando o vinho
Canta, canta, canta, canta
Canta a canção do gozo
Canta a canção da graça
Canta mais
Preparando a tinta
Enfeitando a praça
Canta, canta, canta, canta
Canta a canção de glória
Canta a santa melodia
Canta mais
Revirando a noite
Revelando o dia
Noite e dia, noite e dia
Chico Buarque/1978
Ouvi, ontem, que não há nenhum espelho igual à outro, por conta de angulações matemáticas... Isso significa que sempre haverá algum ...
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