Então, iniciou-se a descida ao rio, que suspenso no 1º andar se achava: eis o prelúdio das inundações que nos levariam às cheias das artes alquímicas: o tablado segredava um alçapão; por trás, uma varanda era atravessada por um rio invisível; uma casa nascia, ali, das entranhas de outra, à nossa frente; o tempo regredia; o espaço se dilatava.
Uma batida na porta... era o passado a rondar, ainda, o coração ainda moço daquela moça... De imediato, o passado fez-se presente... nos olhos em remorsos de quem regressara, nos olhos nostálgicos de quem nunca partira... E só havia um pedido: voltar a se esconder... ali, sob o chão, fugir para um ontem distante; recriar aquele espaço sob os pés, fora do tempo, além dos ideais, aquém da coragem... cálido espaço, útero da casa, grávido de memórias... árido espaço, vazante das promessas, fotografia de silêncios eloqüentes.
Eis que chega a tempestade sob forma humana. Arrancam palavras. Açoitam lembranças. Nem um santo imóvel os demove. O mundo é pequeno demais para uma fuga; a consciência, estreita em demasia para saltar coragem do porão; o amor, largo “como um rio sem margens...”.
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