sua lente é mais verossímil que o real; não cabem óculos ao que teus sentidos filtraram... nem regulagens ao que disseste...
continua a derramar vinho sobre os verbos, até ali, então, solitários em seu pudor etimológico... rumo à lavra das palavras que, em estado de poesia já demandam alforria!
Creia-me, artesã impressionista, o quadro que pintaste é mais surreal, agora, que me fizeste lembrar das coisas que não vi: pierrôs modernizados em meio ao flerte de flores de saias, sem falar nos homens primitivos a nos instilar atavismos!
Como um demiurgo, tu implantaste com tuas miragens novas memórias em mim... retocaste o passado como uma pedagoga do olhar!!!
Sim, estivemos no meio de um barco a atravessar a noite... e agora, que o falaste, lembrei-me: éramos nós a paisagem!!! Será esse o mistério: converter-nos o olhar para o insuspeito dos dias?
Não ousem responder... quem o poderia?!!!
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