terça-feira, 7 de outubro de 2008

Não-saber infinito...


O sol tá pestanejando... e eu aqui, navegando em mim... comadre, como dizia toda gente: todo mundo tem uma história pra contar, um destino pra cumprir, uma estrada pra atravessar...

todo mundo padece de uma bússola que teima em apontar para “o nada, nada, nada do que se esperava encontrar”... já reparou? coisa triste é sede em frente ao mar, saudade é a vazante das dores da tarde a nos escoltar; um caminhante da estrada não sabe que amor dá na entressafra e que há um salvador em cada esquina pra fome da alma?

Toda estrela alumia o esquecido: o que falta nessa vida é prévio aviso, quando ela é somente o sono a deitar seu calor nas folhas de outono; quem sabe o destino não é confidente do acaso... não sabe morrer quem cultiva flores de plástico... fé é quando a gente espera o futuro chegar, pra depois lamentar, mais à frente, que nada mais é... como era antigamente...

O latifúndio de cada um não será, também, um sertão? Tem mais vazio que cheio, tem mais saudade e espera que cotidiano, tem mais horizonte que parede e cada nuvem é um cais, por onde vôo... tem dia que ”se eu bebesse o mar, encheria o que eu tenho de fundo”

... parece que saí de casa só com o corpo... comadre, tirei esse final de tarde pra lembrar quem eu sou, “por que acontece, por vezes, da gente não ter tempo de ser a gente”; até me esqueci como ser eu era fácil... eu já amei como quem teme a um deus, eu já fiz versos como quem confidencia blasfêmias, eu já desejei gente que eu não queria, eu já senti saudades precoces das coisas... enquanto aconteciam, eu já tive medo de não saber o que querer por querer demais, eu já roubei beijos (e devolvi), já fui indiferente a quem não me queria, já fui ridículo, já me senti o máximo (que é uma maneira elegante de ser ridículo), já fiz encantamento... de poesia pra me repararem, já fui pleno brincando com criança, ou de ser uma; já quis ir pra tão longe até que o horizonte ficasse perto; já ensaiei cantadas... pra depois apelar pro improviso... será que a gente é o conjunto das decisões, circunstâncias, genética e dos dados de Deus?

A gente se olha no espelho e vê o resultado da soma. Tem dia que eu só reparo nas subtrações, no que se dividiu, ficou na promessa... ou pra outra encarnação... mas tem dia que eu me multiplico, como numa diáspora: tanta gente que eu poderia ser, tanto lugar que podia ser de minha nascença, tantos pais que podiam ser meus, tanto beijo que não dei, as meninas que não conheci, os colégios que não estudei, os mares que não fizeram nenhuma “moldura atlântica” da minha história... eu sou uma possibilidade... e como não tem jeito pra saber se havia outra melhor, creio que vingou a melhor delas...


por: ônix

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Ouvi, ontem, que não há nenhum espelho igual à outro, por conta de angulações matemáticas... Isso significa que sempre haverá algum ...