quinta-feira, 21 de junho de 2012
Teoria da Vida
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Patologias
Se chegamos atrasados somos relapsos, se nos antecipamos, ansiosos; e se, pontuais, neuróticos...
Se muito trabalhamos, workaholics; se pouco, preguiçosos;
Se nos debruçamos sobre o imponderável, lunáticos; se nos preocupamos com a sobrevivência, materialistas;
Se, por demais, discutimos a relação, inseguros; se a negligenciamos, esquivos; se muito disponíveis, anulados
Se romantizamos o cotidiano, piegas; se cotidianizamos o romance, frios;
Se tomamos coincidências como premonição, supersticiosos; se as racionalizamos, cegos
Se nos apaixonamos, incautos e ingênuos; se nos retrancamos, covardes
Se envelhecemos, falam-nos do passado; e se rejuvenescemos, também
sexta-feira, 23 de março de 2012
Efemeridades
Houve um tempo em que Freud explicava tudo, Marx era cultuado como um deus e o mundo era bipolar: ou você era comuna ou capitalista, Garantido ou Caprichoso, FLA ou FLU! Pois bem, a psicanálise está há tempos no divã, marxismo não é unanimidade e a terceira via já é uma realidade na política e no sexo! Essas referências (nem sempre um porto alegre), funcionavam como um porto seguro: você sabia o que fazer, quem era e no que acreditar!
Não é que as certezas tenham mudado... a vida útil delas é que se tornou cada vez menor (como atesta a efêmera validade das verdades científicas)... o que era sólido desmancha-se, agora, em liquidez... e o que sempre fora uma experiência perene (amor, casamento, crenças, vínculos empregatício, instituições) continua sendo eterno... mas... só enquanto dura.
É de se perguntar: num mundo tão volátil, quem se resigna a viver uma só vida em mil possíveis, agora que podemos explorar outras identidades com a realidade virtual, agora que podemos escolher nosso sexo, nossa cor e, segundo as promessas da engenharia genética, o design não só do nosso hardware (traços estéticos), mas principalmente do nosso software (imunidade a certas doenças)?
Com um self-service desses, não é à toa que a ansiedade dispara na pole position dos distúrbios do 3º milênio: a questão não é mais escolher algo num mar de possibilidades, mas o tempo necessário para experimentar cada uma dessas; viver de quase tudo um pouco e quase tudo mal; ou como dizia a canção: “melhor viver dez anos a mil a mil anos a dez”!
Também não é à toa que tanta gente diz ser hiperativa, com déficit de atenção anexado: o excesso de informação induz não só ao esquecimento, mas ao desejo de consumir imagens, experiências (virtuais ou não), pessoas, identidades... é como se fosse preciso estar conectado para se sentir vivo e percebido. Aliás, já existe até nome pra isso - fomo (fear of missing out, ou, medo de perder alguma coisa). Pois é, 24h é pouco pra tanta demanda: haja avatares virtuais!
Fica a sensação de que o tempo é curto, de que não se viveu o suficiente, de que o passado foi apenas o avant-première. Parece prevalecer essa noção de que viver é sentir intensamente, e rapidamente, as experiências, o que faz com que privilegiemos a existência em termos de horizontalidade, sem se aprofundar em algo específico, virtualmente absorvendo o mundo por mil janelas. Nesse
cultivo de estados alterados da percepção, serotonina e dopamina são os neurotransmissores da hora... e é preciso correr para se manter em pé!
Apesar de não ter saudade de guerra fria e muito menos de um tempo em que as escolhas eram um até que a morte os separe, confesso que sou nostálgico: sou de um tempo em que as coisas eram feitas pra durar... coisa que certamentenão acontecerá com essa minha teoria!
by: ônix
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Eternizando
Sentir o gosto do outro
estar na colorida lembrança de alguém
beber o oceano
queimar-se dos primeiros instantes da aurora
banhar-se de lua
da respiração da criança que dorme
do silêncio da chuva que cai
os pés nus sobre a montanha
o vento no labirinto das cidades
a desbravar a cordilheira das esquinas
o orvalho da nova infância
tudo o que é delicado
é eterno
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Reflexos da alma


Ouvi, ontem, que não há nenhum espelho igual à outro, por conta de angulações matemáticas...
domingo, 11 de setembro de 2011
Mistérios
Essencialismo
Se os antigos nos legaram o epicurismo, o estoicismo, o ceticismo... e os modernos nos seduziram com o romantismo, o surrealismo, o modernismo; minha contribuição a este século (ainda criança) será o essencialismo...
Senso de raridade: eis o que o tempo nos cultiva, o nome daquilo que em nós decanta, a diferença entre vida bruta e vida líquida, o que nos vai tornando mais bossa nova e menos rock’n’roll...
Seja solteiro ou casado, Carlito ou Marilyn Monroe, Garantido ou Caprichoso, alienígena ou terráqueo, tal senso se instala em lento download...
Essencialismo é o que as mãos não retiveram, o que os olhos não viram, o que os lábios guardaram... a busca em cada porto alegre de um porto seguro, ter sensibilidade parabólica para captar momentos hiperbólicos (ainda que líquidos) e que desembocaram em entregas sólidas (ainda que efêmeras)

Essencialismo é sacar que
Tempo vai-se tornando mais valioso que dinheiro
Garantias, um seguro com prazo de validade
E que intimidade requer palavras escolhidas
Essencialismo é perceber que
Pra inspiração não há aspirina
Nem pra coração partido, anestesia
Só vingam mesmo as promissórias
das promessas vencidas
As escolhas continuam sem avalistas
Assim como os sonhos... para os quais não cabem analistas
Quanto a declarações... solamente pedidos de vista
Essencialismo é resistência lírica à realidade prática
É ver literatura em matemática
É ter crise de auto-suficiência
É tomar coincidências como premonição
É cansar-se de palavras e sublimar-se em música
É preparar outras vidas
Antes de tudo: espera... uma espera de longos diasÉ ciência de que as coisas são intempestivas:
ou ontem morreram, ainda hesitantes,
ao alcance de nossas mãos
ou mesmo resistem, incólumes e uivantes,
no onírico horizonte
num cais de sonhos remanescentes
“o resto é mar..., ..., ..., ...”
TEXTO: Ônix, Louco (pelo anonimato)
IMAGEM: Essencialismo - Ismael Nery
Ouvi, ontem, que não há nenhum espelho igual à outro, por conta de angulações matemáticas... Isso significa que sempre haverá algum ...
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