Se os antigos nos legaram o epicurismo, o estoicismo, o ceticismo... e os modernos nos seduziram com o romantismo, o surrealismo, o modernismo; minha contribuição a este século (ainda criança) será o essencialismo...
Senso de raridade: eis o que o tempo nos cultiva, o nome daquilo que em nós decanta, a diferença entre vida bruta e vida líquida, o que nos vai tornando mais bossa nova e menos rock’n’roll...
Seja solteiro ou casado, Carlito ou Marilyn Monroe, Garantido ou Caprichoso, alienígena ou terráqueo, tal senso se instala em lento download...
Essencialismo é o que as mãos não retiveram, o que os olhos não viram, o que os lábios guardaram... a busca em cada porto alegre de um porto seguro, ter sensibilidade parabólica para captar momentos hiperbólicos (ainda que líquidos) e que desembocaram em entregas sólidas (ainda que efêmeras)

Essencialismo é sacar que
Tempo vai-se tornando mais valioso que dinheiro
Garantias, um seguro com prazo de validade
E que intimidade requer palavras escolhidas
Essencialismo é perceber que
Pra inspiração não há aspirina
Nem pra coração partido, anestesia
Só vingam mesmo as promissórias
das promessas vencidas
As escolhas continuam sem avalistas
Assim como os sonhos... para os quais não cabem analistas
Quanto a declarações... solamente pedidos de vista
Essencialismo é resistência lírica à realidade prática
É ver literatura em matemática
É ter crise de auto-suficiência
É tomar coincidências como premonição
É cansar-se de palavras e sublimar-se em música
É preparar outras vidas
Antes de tudo: espera... uma espera de longos diasÉ ciência de que as coisas são intempestivas:
ou ontem morreram, ainda hesitantes,
ao alcance de nossas mãos
ou mesmo resistem, incólumes e uivantes,
no onírico horizonte
num cais de sonhos remanescentes
“o resto é mar..., ..., ..., ...”
TEXTO: Ônix, Louco (pelo anonimato)
IMAGEM: Essencialismo - Ismael Nery
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