quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Reflexos da alma



Ouvi, ontem, que não há nenhum espelho igual à outro, por conta de angulações matemáticas...

Isso significa que sempre haverá algum reflexo, em algum lugar, com uma versão mais hard, soft ou onírica de nós, uma espécie de redenção estética... entonces, o problema está no que se vê... não no que se é?

O que é sólido desmancha-se em miragem... aliás, apaixonar-se é mirar-se no mais suspeito dos espelhos... que superfície ou tela poderá conosco?


Dizem que inspiração é estar pleno de Deus... coisas como a êxtase divino, o transe amoroso, o orgasmo, a criação artística derivariam dessa transcendência... nossa memória, sempre seletiva, tem nessas experiências a própria definição de vida ... em qual agenda se registra o essencial?


TEXTO: ÔNIX

domingo, 11 de setembro de 2011

Mistérios

MISTÉRIOS = coisas que conheço mas desconheço, e sobre as quais tenho pouco (ou nenhum) domínio... Que causam dúvidas e estranheza, mas mesmo assim despertam um fascínio que não permite que nos desvencilhemos delas

Essencialismo


Se os antigos nos legaram o epicurismo, o estoicismo, o ceticismo... e os modernos nos seduziram com o romantismo, o surrealismo, o modernismo; minha contribuição a este século (ainda criança) será o essencialismo...


Senso de raridade: eis o que o tempo nos cultiva, o nome daquilo que em nós decanta, a diferença entre vida bruta e vida líquida, o que nos vai tornando mais bossa nova e menos rock’n’roll...


Seja solteiro ou casado, Carlito ou Marilyn Monroe, Garantido ou Caprichoso, alienígena ou terráqueo, tal senso se instala em lento download...


Essencialismo é o que as mãos não retiveram, o que os olhos não viram, o que os lábios guardaram... a busca em cada porto alegre de um porto seguro, ter sensibilidade parabólica para captar momentos hiperbólicos (ainda que líquidos) e que desembocaram em entregas sólidas (ainda que efêmeras)




Essencialismo é sacar que

Tempo vai-se tornando mais valioso que dinheiro

Garantias, um seguro com prazo de validade

E que intimidade requer palavras escolhidas


Essencialismo é perceber que

Pra inspiração não há aspirina

Nem pra coração partido, anestesia

Só vingam mesmo as promissórias

das promessas vencidas


As escolhas continuam sem avalistas

Assim como os sonhos... para os quais não cabem analistas

Quanto a declarações... solamente pedidos de vista


Essencialismo é resistência lírica à realidade prática

É ver literatura em matemática

É ter crise de auto-suficiência


É tomar coincidências como premonição

É cansar-se de palavras e sublimar-se em música

É preparar outras vidas

Antes de tudo: espera... uma espera de longos dias

É ciência de que as coisas são intempestivas:

ou ontem morreram, ainda hesitantes,

ao alcance de nossas mãos

ou mesmo resistem, incólumes e uivantes,

no onírico horizonte

num cais de sonhos remanescentes

“o resto é mar..., ..., ..., ...”


TEXTO: Ônix, Louco (pelo anonimato)

IMAGEM: Essencialismo - Ismael Nery

domingo, 12 de abril de 2009

Da natureza das pedras


Por 37 anos – e por diferentes motivos – ele acordara sempre antes do sol.

Se, ainda criança, poucas horas de sono bastavam-lhe, ao crescer, a insônia parecia ter-se casado bem com seus precoces deveres: rumar diariamente para a longínqua cidade, ao fim das madrugadas, para garantir o sustento da mãe e da irmã.

Pedreiro, menos por escolha que por destino, conhecia a fundo a ciência de seu ofício há mais de três décadas: afinal, parte de uma cidade nascera de suas mãos.

Após essa eternidade de horas, semanas, meses e anos de tijolo, areia e cal, o fato é que um temporal castigara aquele final de dia, o que alterou a rota do pedreiro, que deveria tomar um outro ônibus na estação, pois havia perdido o seu.

Três quarteirões e duas esquinas depois, a chuva engrossara, forçando-o a se abrigar no Museu, naquele instante tão ermo e solitário quanto ele.
Fez a leitura das nuvens, prognosticou a duração do dilúvio e resolver fazer hora ali dentro. Pareceu-lhe um labirinto com infinitas passagens e salas a se multiplicar.
Parecia perdido.
Sentou-se junto a uma escultura de Hermes e ficou imóvel por longos minutos.
- Também és uma estátua?
O pedreiro sobressaltou-se, percorrendo os olhos pela sala vazia e inquirindo pela identidade daquela voz... o que só foi respondido pelo eco de sua própria.
- Jamais havia te mirado antes. És um estranho aqui - continuou a voz.
O pedreiro petrificou-se. A fonte da voz não era humana.
- Agora, estás a me admirar... e pelo motivo errado!
O pedreiro circundou a estátua, investigou cada detalhe e deteve-se diante dela, mudo e fascinado.
- Movimenta-te com harmonia!
Quisera eu poder fazer o mesmo.
E, no entanto, sempre estão a pagar para me ver estática.
O pedreiro assentiu e arriscou, ainda surpreso:
- Talvez imaginem como você era antes de ser o que é. Como alguém conseguiu trabalhar o mármore com tanta perfeição!
- Ora! Eu sempre existi. O escultor apenas retirou os excessos de pedra.
- E quanto tempo faz isso? - Vinte e cinco séculos. O pedreiro assombrou-se mais uma vez e emendou:
- Quanta história você não deve ter visto!
- É exatamente o contrário: miram-me por ser a história...
- Quantos lugares você não deve ter conhecido!
- Meu destino é rodar eternamente o mundo.
- E quantas pessoas também...
- Reis e rainhas já estiveram aos meus pés.
- Sem falar que você nunca vai morrer!
- Sim, percorro os séculos insone... eu que só queria dormir... eis meu fado, meu fardo!
- Mas como? Quem não desejaria ser como você?
- Acaso, desejarias trocar de lugar comigo?
- Mas porque você viveria a vida de alguém que só conhece as pedras e que nunca saiu de onde nasceu?
- Mas eu também sou feito de pedra... desta matéria fiz minha casa... eu sonho com o movimento...
- Mas movimento é o que só você conhece! Está hoje aqui, mas amanhã e depois e depois, sempre em algum lugar distante, longe!
- Uma vida breve... um quintal, trabalhar a pedra até morrer: isso soa a ti como uma prisão?
- O que você sabe sobre não ter escolha? Não ser percebido? Sobre não dormir? Não distinguir a vida do trabalho? Eu devolvo a você a proposta: trocaria de lugar comigo?
- Ora, jovem humano, não pensaria duas vezes! Após um silêncio prolongado, a escultura prosseguiu:
- Se almejas largar tua sorte e tornar-te como eu, aproxima-te!
Ele se aproximou.
- Agora, toca-me os dedos. Ele a tocou. Então, a carne se fez pedra. E a pedra, enfim, se fizera carne.




terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Receitinha para bem viver!

Como manter-se jovem

1. Deixe fora os números que não são essenciais.Isto inclui a idade, o peso e a altura.Deixe que os médicos se preocupem com isso. Afinal, é para isso que lhes paga!.

2. Mantenha só os amigos divertidos. Os depressivos puxam para baixo.(Lembre-se disto se for um desses depressivos!)

3. Aprenda sempre:Aprenda mais sobre computadores, artes, jardinagem, o que quer que seja. Não deixe que o cérebro se torne preguiçoso.'Uma mente preguiçosa é trabalho do diabo.' E o nome do diabo é Alzheimer!

4. Aprecie as pequenas coisas

5. Ria muitas vezes, durante muito tempo e alto. Ria até lhe faltar o ar.E se tiver um amigo que o faça rir, passe muito e muito tempo com ele / ela!

6. Quando as lágrimas apareceremAguente, sofra e ultrapasse.A única pessoa que fica conosco toda a nossa vida somos nós mesmos.VIVA enquanto estiver vivo.

7. Rodeie-se das coisas que ama:Quer seja a família, animais, plantas, hobbies, o que quer que seja.O seu lar é o seu refugio.

8. Tome cuidado com a sua saúde:Se é boa, mantenha-a.Se é instável, melhore-a.Se não a consegue melhorar, procure ajuda.

9. Não faça viagens de culpa. Faça uma viagem ao centro comercial, até a um país diferente, mas NÃO para onde estiver a culpa

10. Diga às pessoas que ama que as ama a cada oportunidade.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Paisagens


Há dias em que penso ter a idade das estrelas;
outros em que sinto que ontem nasci.

Há coisas que ficaram velhas, pelo caminho, como rosas outonais, que morreram e para as quais eu também morri...
as embalo como lembranças sem nostalgia...

Há coisas permanentes: a mudança, a crença de poder fazer durar tudo que nos dá prazer de existir...
a luta contra o tempo e os desejos adversos;
a vida sempre aquém, o gozo sempre onde além...
as cativo como dádivas intempestivas...

Há novidades também: o corpo lentamente a trair a idade interior, a urgência de as mãos reterem o essencial e a fatura das decisões de 10 anos atrás.

Há a perplexidade da defasagem entre o que busquei e o que agora desejo (acolho os fantasmas de mim)...
a fugacidade de coisas que se anunciaram perenes...
quando a eternidade só pertence às estrelas...

Ouvi, ontem, que não há nenhum espelho igual à outro, por conta de angulações matemáticas... Isso significa que sempre haverá algum ...