Chuva...
Em todos os lugares.
O tempo inteiro.
sábado, 27 de dezembro de 2008
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Paisagens

Há dias em que penso ter a idade das estrelas;
outros em que sinto que ontem nasci.
Há coisas que ficaram velhas, pelo caminho, como rosas outonais, que morreram e para as quais eu também morri...
as embalo como lembranças sem nostalgia...
Há coisas permanentes: a mudança, a crença de poder fazer durar tudo que nos dá prazer de existir...
a luta contra o tempo e os desejos adversos;
a vida sempre aquém, o gozo sempre onde além...
as cativo como dádivas intempestivas...
Há novidades também: o corpo lentamente a trair a idade interior, a urgência de as mãos reterem o essencial e a fatura das decisões de 10 anos atrás.
Há a perplexidade da defasagem entre o que busquei e o que agora desejo (acolho os fantasmas de mim)...
a fugacidade de coisas que se anunciaram perenes...
quando a eternidade só pertence às estrelas...
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Mínimas
Não existem garantias
Apenas a vida a longo prazo
Ou a perder de vista
Pra inspiração não há aspirina
Nem pra coração partido, anestesia
Só vingam mesmo as promissórias das promessas vencidas
Pra escolhas não há avalista
Pra sonhos não cabem analistas
Pra declarações, solamente pedidos de vista
O maior vício será a rotina?
Saudade se mata ou vive de ressurgir das cinzas?
Vida, me diga: qual será a saída?
Teoria do Caos
E se Colombo tivesse naufragado
E Barbosa, defendido?
Se o sonho não tivesse acabado”
E nem Eva, mordido?
Se o átomo não fosse fissurado
E Descartes não tivesse duvidado?
E se Lutero fosse analfabeto
E Freud não fosse médico?
Se Judas não tivesse traído
E Sócrates houvesse abjurado?
E se Deus não tivesse morrido
Nem o rock nascido?
Qual teria sido seu destino?
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Curriculum Vitae Duvidoso

Sabe esses dias que vc acorda com ergofobia?
Sabe essas horas que a melhor saída é ir embora?
Sabe essas dores que a gente cultiva como flores?
Sabe esses papos tão cheios de atos falhos?
Sabe esses encontros com sabor de avant-première?
Sabe esses beijos que te sugam as palavras?
Sabe esses olhares telepáticos?
Sabe aqueles toques orgiásticos?
Sabe essa coisa de se comprazer na dor?
Sabe ser bossa nova com alguém rock´n´roll?
Sabe aquela solidão de grand canyon?
Sabe aquele silêncio digno dos templos?
Sabe ser Carlito a azarar Marilyn Monroe?
Sabe estar em Amsterdã e ser do interior?
Sabe esse coração na opção stand by?
Sabe quando o corpo te trai?
Sabe não ter vaga e sobrar fila?
Sabe essas promessas com jeito de campanha?
Sabe ter vocação pra acrobacia E equilibrar dores, contas e arritmias?
Sabe de algum prozac pra desgosto? Sabe se valium vale pra agosto?
Sabe se consideram especialidade ser um especialista em generalidades?
Sabe?
Destino em desalinho

Todo mundo tem uma história pra contar
Um destino pra cumprir
Uma estrada pra atravessar
Todo mundo carece de uma bússola
Um guia ou um mapa
Que teimam em apontar
para o ”nada, nada, nada
Do que se esperava encontrar”
Castelo se herda
Beijo se rouba
Futuro se infinita
Passado se edita
Idades se alcançam
Experiência não se terceiriza
Amar é sina
Amor, loteria
Um destino pra cumprir
Uma estrada pra atravessar
Todo mundo carece de uma bússola
Um guia ou um mapa
Que teimam em apontar
para o ”nada, nada, nada
Do que se esperava encontrar”
Castelo se herda
Beijo se rouba
Futuro se infinita
Passado se edita
Idades se alcançam
Experiência não se terceiriza
Amar é sina
Amor, loteria
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Estrada de contradições...

De quantos trailers se compõe nosso dia? Se a gente acorda protagonista não há garantia de que não vá dormir coadjuvante... é possível viver sem algum tipo de embriaguez?
Qual nosso lugar no mundo?, quando, como e onde não mais nos trair? Não mais deixar o tempo fugir?... toda felicidade é urgente!
Se somos mesmo um clássico caso de personalidade múltipla, quem nos apontará a fronteira entre a boa e a má escolha? Ao que, a quem renunciaremos se o bom senso for o nosso norte? como se medir a vocação se cada um é uma novidade em potencial?
Sim, temos contas para pagar, mas precisamos, antes, sentir a brisa dos mares do sul: questão de sobrevivência, baby! Temos que comprar um 'apertamento', conquistar nossa independência, nem que seja às margens do Ipiranga, mas... esse horizonte me convida todo dia a conhecê-lo, e vocês sabem: a vida é agora, como ensina o Visa!!!
Sem esquecer que temos que plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho! Temos que nos dedicar ao nosso curso, nosso corpo, nosso espírito, nossos discos, nosso trabalho, nossos familiares... mas sem cúmplices, a memória logo se dissipará!
E assim vamos vivendo em carreira solo, com eventuais duetos! Temos que nascer malabaristas: equilibrar contas, dores e alegrias... e a gente que só queria ser como todo mundo: normal! Só não nos avisaram que esta categoria ou toma remédio de tarja preta ou deixa os psicólogos malucos!!!
A gente só queria alguém pra entender que coerência rima com ciência... e exata, pois no campo das humanas é mais ou menos como no Olimpo repleto de deuses: virtudes públicas, vícios privados (não vá confundir com o contrário!), e cenas explícitas de ambiguidade.
A vida é larga e é um desperdício de tempo, hormônio e de histórias saborosas como as de Rubem Alves viver teorizando sobre o que ela poderia ser!
E eu que não imaginara que, à medida que o tempo passasse, as dúvidas cresceriam em razão geométrica, ao passo que as certezas, se desenvolveriam em razão aritmética (e muitas quedariam ante o real por inanição!).
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