Dessa forma, caso você, se enamorasse por algum rapaz, tinha início aí todo um ritual de aproximação.
Primeiro, o flerte, o encantamento, a troca furtiva de bilhetes...mas nada de ficação.
Obviamente que cabia ao rapaz a iniciativa d'alguma tentativa de diálogo... por enquanto, por meio de signos: bengala para cima (estou nas alturas contigo!); envio de rosas vermelhas (estou apaixonado!); mão a coçar a fronte (cuidado! há alguém entre nós!); uma das mãos a tirar o suor do rosto (quanto trabalho me dás!).
Um hábito bastante comum naqueles tempos era o passeio na praça. Com os braços entrelaçados, lá iam as meninas-moças a fazer o sentido horário e os rapazes, o anti-horário.
Ficavam os jovens, assim, uma boa parte do tempo circulando pela praça, a telegrafarem-se mensagens, até o momento em que o rapaz, com a espada da audácia e coragem, ia ao encontro de sua princesa, cujo braço tomava e, num galope imaginário, a levava até o castelo central da praça, o banco, e então... sob a luz das nebulosas, jurava-lhe amor eterno.
Naqueles tempos, namoro era sinônimo de compromisso, o qual vingava graças ao empurrãozinho da mãe, dos vizinhos, d'alguma tia, das irmãs, do padre e até do delegado: quanta solidariedade social!
Naqueles tempos, namoro era sinônimo de compromisso, o qual vingava graças ao empurrãozinho da mãe, dos vizinhos, d'alguma tia, das irmãs, do padre e até do delegado: quanta solidariedade social!
Uma vez oficializado o namoro, tinha início uma série de procedimentos que viriam "testar" a "competência" do futuro marido.
Assim, sempre que o casal ia passear, geralmente escoltado, era de "bom-tom" que o rapaz se propusesse a pagar certos "caprichos": lanches, presentes etc.
Isso sem falar que cabia ao rapaz, também, presentear sua amada com flores, livros, doces e até mesmo cartão de crédito, por que não?...
Visitas à casa da moça? Só em horário marcado e mesmo assim sem demoras!
Conversas com as irmãs? Só até onde o decoro não se chocasse com a intimidade.
Conversas a sós com a pretendida? Era possível...tão logo consumado o matrimônio!
Tanta dificuldade assim é terreno fértil para um grande amor... pensando num grande amor fui me lembrar de coisas assim...